O que são as Casas Astrológicas?

As casas astrológicas indicam em que áreas os elementos celestes se traduzem na Terra. Esta é a resposta mais curta à questão.

Sem dúvidas, é um dos tópicos mais controversos e mal compreendidos da Astrologia. Por um lado, há vários sistemas de divisão – por exemplo, Placidus, Regiomontanus, Koch entre outros – que podem ser utilizados. Por outro, há grande desconhecimento sobre os fundamentos simbólicos que dão base às divisões. A confusão parece ter se intensificado com o surgimento da astrologia moderna no século XIX.

Em primeiro lugar, as casas são a divisões do céu a partir da perspectiva terrestre.

Imagine-se num campo aberto, em pé, olhando para o céu. Você pode ter intuitivamente a ideia de dividir e criar pontos de referência entre o céu e sua posição no solo. Da sua perspectiva, o céu se move ao redor da Terra todos os dias em um movimento que chamamos de movimento direto. Cada planeta – e grau zodiacal – passa pelos pontos cardeais em relação a superfície. Assim, cada astro e grau do zodíaco ascende, ou surge, no ponto leste. Esta subida culmina no ponto mais alto ao sul. A partir daí inicia-se o declínio em direção ao oeste. Os antigos já sabiam que a “descida” no horizonte continuaria até abaixo da Terra, no ponto mais ao norte.sun_motion_simulator-6552

Os quadrantes são exatamente isso: divisões de espaço do céu em relação à Terra. Como resultado, temos as quatro coordenadas mais importantes: O Ascendente (ASC), o Meio de Céu (MC), o Descendente (DESC) e o Fundo de Céu (IC, do latim Imum Coeli). Estes pontos são fixos, por assim dizer, para todas as localidades em relação aos astros que continuam em movimento direto ininterrupto.

Não surpreende que estas sejam as posições mais fortes de um horóscopo. Ao leste, o Sol nasce no ascendente e percorre aparente caminho até o oeste onde se põe, morre. Esta associação, para fins astrológicos, se faz notar já nas culturas do Egito Antigo. O ascendente representa o ponto de formação da vida e, como para viver precisa-se de um corpo, é isso que ele representa. No oeste vemos o ocaso do Sol. Primeiro com um enfraquecimento aparente de sua luminosidade para, por fim, desaparecer. De fato, percebe-se que muitos templos funerários egípcios eram construídos ao oeste das áreas habitadas.

No trajeto de leste a oeste, o Sol chega ao ponto mais alto de sua radiância ao sul, que chamamos Meio de Céu. É ali o apogeu da imagem solar e, consequentemente, este ponto representa status, reputação. Em Roma, o astrólogo Manilius (séc. I d.C) referia-se a este ponto como sendo local de glória, distinção e consumação do sucesso.

Na extremidade oposta, no norte, temos o fundo do céu. É um ponto não visível para quem está na superfície. Representa o mundo subterrâneo, o ponto mais distante do Meio de Céu, o mais distante de nossa visão. A associação com o mundo subterrâneo, nos fala do mundo onde as almas residem. Não devemos nos confundir e pensar em inferno, no padrão judaico-cristão. Na verdade, as civilizações antigas acreditavam que a morte era um processo cíclico que levava as almas da Terra para que elas, depois, mais uma vez reemergissem ao mundo físico.

Por fim, é importante não associar as casas aos signos. Esta é uma incongruência moderna que não encontra amparo na tradição. A Casa 2 fala dos bens móveis e riquezas mas não porque Touro é o segundo signo do zodíaco; tanto quanto Aquário não tem uma associação com amigos e aliados da Casa 11.