NOMIA : A LUA

Dos Maias da América aos povos nórdicos, as mais diferentes culturas antigas possuíam divindades associadas à Lua. Não é difícil imaginar que tudo aquilo que desafiava a escuridão da noite exercia uma fascinação quase mágica nos homens. De todos os planetas astrológicos que podemos ver a olho nu, acredito que a Lua é a mais inevitavelmente simbólica.

Eu sei caro leitor, a Lua é astronomicamente um satélite. Ela tem cerca de ¼ do diâmetro da Terra e está apenas a 380 mil Km de distância de nós. O brilho que vemos é decorrência da luz solar mas a superfície da Lua é rica em alumínio e titânio e portanto acentua-se o reflexo. Devido à ausência de água líquida e de atmosfera que cause ventos, não há erosão da superfície. Por isso, ainda podemos ver a pegada que Neil Armstrong, o primeiro homem a pisar na Lua, deixou ao desembarcar da Apolo 11 em 20 de julho de 1969.

De certo modo, a Lua realmente não esquece nada. Incontáveis casais de namorados elegem a Lua como representação romântica dos seus sentimentos. A idéia está longe de ser nova. Na antiguidade, os estudiosos dos astros designaram a Lua como controlando a água e tudo o que é fluido. Hoje, ninguém é lunático a ponto de negar a associação da Lua com água. Não só recentemente descobriu-se que há H2O lá em cima, mas aqui embaixo sabemos faz tempo da influência que nosso satélite tem na formação das marés

Pessoalmente, acho tudo muito simbolicamente romântico. Assim como a Terra atrai a Lua gravitacionalmente, a Lua também atrai a Terra e nesta dança nossos oceanos se “deformam” e temos marés altas a baixas. Com modesto 1/81 da massa terrestre, a Lua contribui para que algumas localidades experimentem uma diferença entre as marés alta e baixa de 18 metros! Muitas leitoras possivelmente experimentam grandes variações durante seu ciclo menstrual também (falei que, etimologicamente, menstruação e lua são vocábulos relacionados entre si?). O ciclo lunar de 29.5 dias quase bate com os 28 dias, em média, do ciclo de fertilidade feminina.

moonphases

Tanto já foi dito sobre a Lua que, ao escrever este post, fiquei com medo de chover no molhado. Afinal de contas, de todos os astros conhecidos pelo homem, poucos foram estudados tão profundamente e nenhum foi mais citado por poetas do que ela.  E continuamos a descobrir que ela nos afeta de muitas maneiras. Médicos sabem que hemorragias são mais freqüentes na lua cheia, nos lembrando que na realidade somos formados de 70% de água. Por estas e outras, a Lua  continua a nos surpreender e por isso vale sempre chover no molhado. Falando em chuva, já está cientificamente documentando pela renomada Revista Science que vale olhar pra Lua antes de sair com ou sem guarda-chuva.